segunda-feira

Na beira-mar e banhada por rios, cidade do litoral sul sofre com falta d’água

Conde e a contradição: cercado de água e em crise de abastecimento (Foto: Cácio Murilo)
Conde e a contradição: cercado de água e em crise de abastecimento (Foto: Cácio Murilo)

Roteiro reconhecido mundialmente pelas suas belezas, point tradicional de carnaval em sua praia de Jacumã, e área de expansão econômica com a chegada da Fiat, na divisa com Pernambuco, o município do Conde, litoral sul da Paraíba, vive uma contradição. Agraciado abundantemente pela natureza, na beira mar e cercada de rios, sofre com a falta d’água regular para moradores e empreendedores.

Banhado em todos os seus arredores, o abastecimento do Conde é precário tanto quanto cidades localizadas no semi-árido do Estado. Na cidade litorânea sobra água. Nela está o Açude de Gramame, com capacidade para 56 milhões de metros cúbicos, mas a dificuldade para chegar à casa dos seus habitantes lembra a odisséia dos sertanejos e caririzeiros paraibanos.

Prestes a receber turistas da Paraíba inteira e de outros Estados no Carnaval de Jacumã, o Conde passará mais uma vez por um momento crítico. Nesse período, a cidade quase triplica o número de pessoas, uma demanda que leva ao colapso.

Desenvolvimento ameaçado
Uma carência que emperra, também, a economia do município. Sede de pousadas, hotéis e até um resort, a deficiência não é um bom cartão para novos investimentos. O segmento hoteleiro e turístico reclama da ausência de infra-estrutura.

A Pousada Aruanã, por exemplo, uma das mais requisitadas da orla condense, possui poço para conseguir auto-sustentação. Outros estabelecimentos do setor que na contam com reservatório próprio precisam recorrer a carros pipas.

“Não há como depender da água da Cagepa até porque nas praias o abastecimento ainda não chegou. No caso da Aruanã, realizamos manutenção constante com substituição de tubulações, aprofundamento dos poços e análise da qualidade da água”, informou o empresário Otho Marcelo.

Localizada estrategicamente próximo ao Pólo da Fiat, o Conde tem sido alvo da chegada de fábricas de apoio e procurada para moradia de trabalhadores da multinacional. Empresários investem em condomínios, de campo e de praia, embalados pelo atrativo das belezas e pequena distância de Goiana (PE).

Sistema primitivo
 Atualmente, o Conde conta com uma Estação Elevatória da Cagepa, em ruínas e com equipamentos oxidados. A captação é feita no Rio Água Boa, mas sem o mínimo tratamento adequado. São muitas as denúncias de baixa qualidade. O próprio secretário municipal de Saúde, Francimar Veloso, admite a presença de coliformes fecais na água.

Poços e carros pipas
A maioria das residências, da zona urbana e rural, depende de caixas d’água ou de poços artesianos. Tanto que em épocas de eleição políticos do município negociam voto em troca de perfuração de poços. Uma das mais comunidades mais atingidas é a de Mituaçú, responsável por vários protestos. A situação do município é agravada pela ausência de esgotamento sanitário.

Obras inconclusas
Desde 2013, a população espera por essas duas soluções. As obras foram autorizadas em solenidade festiva pelo governador Ricardo Coutinho, em seis de junho de 2013. No mesmo dia, o Governo autorizou o início das obras do sistema de esgotamento sanitário de Jacumã e a implantação da adutora do Conde. As duas obras receberam recursos na ordem de R$ 30,1 milhões.

O Consórcio Planície Potiguar, vencedor da licitação, chegou a começar os serviços com prazos de um ano para conclusão, porém, dois anos e meio depois, o problema persiste e a obra não chegou ao fim.

O sistema de esgotamento sanitário prevê uma estação de tratamento, implantação de 39,2 mil metros de rede coletora, estação elevatória e 1.326 novas ligações domiciliares. Já a adutora foi projetada com cinco quilômetros de extensão. O sistema projetou duas estações elevatórias, construção de um reservatório de 2 mil metros³ e a substituição de 2,2 km de rede de distribuição.
MaisPB

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