domingo

DESPEDIDA: Comoção marca o enterro do poeta Ronaldo Cunha Lima

Sob clima de forte comoção, o caixão com o corpo do ex-governador Ronaldo Cunha Lima chegou por volta das 16h ao cemitério do Monte Santo, em Campina Grande. Acompanhando por milhares de pessoas, o corpo do ‘Poeta’ deixou a pirâmide do Parque do Povo e seguiu em cortejo em cima de uma viatura do Corpo de Bombeiros pelas principais ruas da cidade.



O senador Cássio Cunha Lima e o governador Ricardo Coutinho acompanharam o cortejo ao lado do caixão. Familiares, amigos, autoridades políticas e jurídicas, além de uma multidão de admiradores, também participaram das últimas homenagens ao ‘Poeta’.



O ex-governador da Paraíba faleceu sábado (7) por volta das 09h30, em seu apartamento, no bairro de Tambaú, em João Pessoa, onde estava sendo submetido ao tratamento de câncer no pulmão.

Saiba mais
Ronaldo José da Cunha Lima nasceu na cidade de Guarabira, no Brejo paraibano, em 18 de março de 1936. Formado em Ciências Jurídicas, ele era casado com Maria da Glória Rodrigues da Cunha Lima e tinha quatro filhos: Ronaldo Cunha Lima Filho, Cássio Cunha Lima, Glauce Cunha Lima e Savigny Cunha Lima.

Deixa ainda oito netos e teve 10 irmãos: Aluisio, Ivandro, Lucio, Zelia, Fernando, Roberto, Marta, Maria José, Terezinha e Renato, dos quais três são falecidos (Aluisio, Lucio e Fernando).

Sua história política teve como palco principal a cidade de Campina Grande. Aos 23 anos foi eleito vereador em Campina Grande e em seguida deputado estadual. Em 1964, foi conduzido pelo voto à Prefeitura de Campina, seu berço político e dos seus familiares, como o ex-senador Ivandro, o atual senador Cássio Cunha Lima e agora o candidato a vice-prefeito Ronaldo Filho.

Foi cassado em 1968 pelo regime militar e acabou indo morar no Rio de Janeiro. Advogado de reconhecida competência, na ‘Cidade Maravilhosa’ constituiu escritório. Conhecia profundamente Direito de Família, entre outros ramos das ciências jurídicas.

Em 1982 voltou à Campina onde foi eleito prefeito mais uma vez. Em 1990, chegou ao ápice da sua trajetória quando, após memorável e histórica campanha, elegeu-se governador da Paraíba. Em 1994, foi conduzido ao Senado da República. Em 2002, o ‘Poeta’ venceu para deputado federal. Ronaldo foi um vitorioso em todos os mandatos e nunca perdeu uma eleição que disputou na Paraíba.

A adolescência
Na adolescência, foi vendedor de jornais tendo trabalhando também como garçom. Trabalhou na Associação Comercial de Campina Grande, na Rede Ferroviária do Nordeste e no Cartório de D. Nevinha Tavares, para que pudesse custear os seus estudos tendo em vista que o seu pai, Diogenes, morreu muito cedo e deixou com dona Nenzinha, sua mãe a responsabilidade de criar e educar a família numerosa (11 filhos).

As polêmicas
Em função de um processo judicial por tentativa de homicídio contra seu adversário político, Tarcísio Burity, Ronaldo renunciou, em 2007, à cadeira na Câmara Federal para escapar de julgamento no Supremo Tribunal Federal. Na época, ele fez uma manobra para dispensar o foro privilegiado e na carta-renúncia disse que queria “ser julgado como cidadão comum”.

O atentado contra Burity foi em 1993 e ficou conhecido como 'Caso Gulliver', nome do restaurante onde aconteceu o crime. O então governador Ronaldo Cunha Lima deu três tiros no seu antecessor, supostamente motivado por críticas que este teria feito a Cássio Cunha Lima, que era superintendente da Sudene. Burity sobreviveu e morreu dez anos depois vítima de complicações cardíacas.

O poeta
Conhecido como ‘Poeta’, Ronaldo Cunha Lima também fez carreira como escritor e teve sua trajetória no cenário cultural imortalizada quando assumiu a cadeira de número 14 na Academia Paraibana de Letras, em 1994. “A paixão dele pela poesia surgiu quando ele era criança. Isto porque o avô já era um exímio soletrista”, descreve o jornalista Nonato Guedes, autor do livro “A Fala do Poder - Discursos comentados de governadores da Paraíba”.

Uma das principais paixões de Ronaldo na Literatura era a poesia do também paraibano Augusto dos Anjos, tanto que, em 1988, participou e venceu o programa ‘Sem Limites’, da Rede Manchete, que fazia perguntas sobre a vida e obra de Augusto dos Anjos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário