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Mutirão faz exames em 40 crianças com anemia falciforme


O Instituto Espaço de Vida realizou ontem, no Hemocentro de João Pessoa, um mutirão para realizar o exame do coppler transcraniano (DTC) em 40 crianças com a doença falciforme. Através do exame, é possível detectar o risco de acidente vascular cerebral (AVC), que é 244 vezes maior em crianças com a enfermidade do que em crianças saudáveis. O serviço foi oferecido às crianças e adolescentes entre 2 e 16 anos de idade.

Desde março de 2010, a rede pública de saúde detectou, através da segunda fase do teste do pezinho, seis casos da doença falciforme na Paraíba. No entanto, casais que têm o traço da doença, apresentam 25% de chance de terem filhos com a doença. “Nossa recomendação é que o casal faça um exame de sangue antes de ter filho para saber se os dois têm traços da doença falciforme. Se eles têm traços da doença, cabe aos dois arriscarem ou não a conceber um filho”, afirmou o coordenador de comunicação da Associação Paraibana dos Portadores de Anemias Hereditárias (Asppah), Dalmo Oliveira.

O neuropediatra Camilo Vieira, do Hospital das Clínicas de Salvador, realizou os exames, foi o responsável por realizar o exame do DTC ontem no mutirão. Ele afirmou que o procedimento é fundamental para prevenir contra o AVC encefálico. “Pelo menos 11% das pessoas que tem a doença podem apresentar AVC até os 20 anos de idade. Até os 45 anos de idade, o percentual sobe para 24%. Por isso, é fundamental realizar esse exame preventivo e tomar as devidas providências”, declarou. O médico afirmou que os pacientes devem fazer o exame pelo menos uma vez por ano para detectar o risco do acidente vascular.

O coordenador da Asppah ainda afirmou que o Estado está despreparado para atender aos pacientes que têm a enfermidade. “Os médicos e profissionais da saúde da Paraíba ainda estão despreparados em relação ao tratamento da doença falciforme. Muitos a confundem, por exemplo, com a anemia comum e receitam sulfato ferroso para tratar o caso, quando o problema não é a quantidade de ferro, que está equilibrada no nosso organismo. Então, o excesso de ferro prejudica órgãos como fígado, rins e coração. Nossa luta é que haja o atendimento adequado no Estado”, afirmou. Ele também disse que, em João Pessoa, os hospitais de referência para o tratamento da doença falciforme são o Hospital Universitário e Hemocentro de João Pessoa.
Pacientes fazem exame pela primeira vez
A enfermeira Leonice Maria Barbosa levou a filha de 8 anos, Larissa Barbosa, para realizar o DTC na manhã de ontem. “Descobri há dois anos que a minha filha tem a doença por causa de uma infecção que ela teve. Desde então, ela faz o tratamento regularmente aqui no hemocentro e, graças a Deus, não apresentou mais os sintomas da doença”, afirmou a mãe de Larissa.

Ela realizou o DTC pela primeira ontem, assim como Joalisson Félix dos Santos, de 16 anos que, infelizmente, já apresenta sequelas de um AVC que ele teve. “Desde 1 ano e 7 meses que sabemos que ele tem a doença falciforme e ele faz o tratamento aqui no hemocentro a cada três meses. Pelo menos duas vezes por ano ele faz transfusão de sangue. Eu não conhecia esse exame de hoje, mas sei que ele é importante para prevenir o AVC e fazer o acompanhamento do paciente”, afirmou a mãe, Maria de Lourdes Félix.

“Nós queremos evitar justamente isso, que mais crianças tenham sequelas indesejadas por causa de um AVC. Por isso é tão importante essa campanha nacional do instituto. Queremos que os profissionais da Paraíba atendam adequadamente os pacientes com a doença falciforme”, afirmou a hematologista do Hemocentro, Sandra Sibele.
Tratamento
Os pacientes com anemia falciforme podem receber tratamento no Hemocentro da Paraíba e também nos hospitais universitários Lauro Wanderley (em João Pessoa) e Alcides Carneiro (em Campina Grande). No Hemocentro, os pacientes passam por exames periódicos de hemograma, sorologia e eletroforese de hemoglobina pelo método Cromotografia Líquida de Alta Resolução (HPLC), além de receber medicação. O tratamento é realizado por uma equipe multiprofissional, formada por médico (hematologista), enfermeiro, assistente social, psicólogo, fisioterapeuta, nutricionista e odontólogo. Só no Hemocentro da Paraíba são atendidos 45 pacientes com anemia falciforme – e aproximadamente 30 deles são crianças.

Doença falciforme
A anemia falciforme é uma doença hereditária que afeta os glóbulos vermelhos. Nas pessoas que apresentam essa patologia, a hemoglobina dentro dessas células assume formato de foice ou meia-lua, enquanto a hemoglobina normal é arredondada e maleável. Por isso, essas células acabam ficando presas nos vasos sanguíneos, atrapalhando a circulação e provocando dor.

É uma doença hereditária, mais comum na população negra ou de ascendência africana. Uma pessoa pode herdar dos pais o gene característico da doença falciforme e, dependendo da combinação genética, este pode não apresentar a anemia, e sim um traço falciforme. As pessoas que apresentam traço falciforme são saudáveis e, portanto, não precisam de tratamento, porque a doença não se desenvolverá. Entretanto, é necessário ter orientação e informação genética.

CASC-PB/NOTICIA

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