terça-feira

Meninas que morreram em JP podem não ter sido envenenadas

A delegada que investiga a morte violenta de duas irmãs, Joana D’arc Sampaio, disse que só após a análise dos laudos é que deve se pronunciar. Segundo ela, só com os exames será possível revelar se as crianças sofreram espancamento, envenenamento ou outra causa que ainda não tenha sido colocada sob suspeita. O resultado dos exames que vai identificar a causa da morte das meninas de 1 e 2 anos de idade, será divulgado em aproximadamente 15 dias.

De acordo com a delegada, a única hipótese que foi descartada, segundo a perícia da Gerência Executiva de Medicina e Odontologia Legal (Gemol), é a de que as crianças sofreram violência sexual. “Pela laceração da vagina e rompimento do hímen seria possível identificar se houve violência sexual, mas a perícia descartou”, afirmou, acrescentando que, mesmo assim, foram feitos exames que poderão identificar ou não a presença de sêmen.  

A delegada disse que, após os exames, deve convocar familiares e pessoas próximas às crianças para prestar esclarecimentos. Ela disse que já ouviu a mãe, pai e avós das vítimas, mas como a morte ainda estava recente, os familiares não tiveram condições emocionais de dar detalhes e, por isso, podem ser chamados novamente. Ela afirmou que os vizinhos não relataram que as crianças poderiam sofrer maus tratos. “Mas só a perícia vai confirmar se houve ou não, porque o estrago foi grande para ter sido provocado por um envenenamento por plantas”, destacou.

Médico legista: “Tudo leva a crer em espancamento”
O médico legista Genival Veloso afirmou que pelo que foi divulgado até agora sobre o caso, as condições das crianças levam a crer que ocorreram lesões traumáticas, que podem ter sido provocadas pela introdução de objetos, pancadas ou quedas. Segundo ele, as lesões podem não estar ligadas à violência sexual.
“Mas pode ser pela perversidade, maldade, de bater, de espancar. Mas isso aí no DML é tranquilo, porque se sabe que essas lesões são acompanhadas de outros elementos, que quando o crime é sexual pode fazer coleta de material para encontrar espermatozóides, placas de sêmen que identificam o autor”, afirmou.

Plantas raramente causam morte
Ao programa Correio Debate, ontem, o especialista em toxicologia da Fundação Oswaldo Cruz, Oswaldo Jesus, afirmou que muito dificilmente envenenamento por algum tipo de planta provoca as consequências apontadas no relatório médico da menina Kauêne. Segundo o especialista, os sintomas de envenenamento por planta são bastante parecidos e em casos raros provoca a morte: “Geralmente provoca dores, salivação, afonia e em casos mais severos dificuldade respiratória e edema de glote”, explicou.

O prontuário de atendimento de Kauêne Geovânia da Silva – uma das irmãs mortas na última quinta e sexta-feira - fornecido pelo Hospital de Trauma, não sugere apenas violência sexual, mas intoxicação e maus tratos, entre outras possíveis causas. Mesmo assim, o diretor de Assistência Médica do Hospital de Trauma, Edvan Benevides, explicou que não é dos médicos da unidade a competência de determinar a causa da morte, mas fazer o atendimento.
Segundo ele, a criança chegou à unidade em condições gravíssimas e a possibilidade de abuso sexual não poderia ter sido descartada pela equipe por duas razões: “A criança foi encaminhada pelo hospital de Valentina justamente porque havia a suspeita de violência sexual e o Trauma é referência no atendimento”, explicou. Além disso, foi detectado sangramento e prolapso retal na criança de dois anos. 

Além das vísceras da criança, a perícia também recolheu da casa da família diversos tipos de plantas, algumas fraudas, calcinhas e até mamadeira. O perito criminal da Gemol, Renê Brito, afirmou que o resultado dos exames só deverá ficar pronto em 15 ou 20 dias. “A demanda dos laboratórios e os procedimentos que são realizados - alguns podem exigir mais tempo em reagentes - tudo isso requer tempo”, explicou.
O perito disse que não identificou de imediato a presença da planta conhecida por “Comigo-Ninguém-Pode”, mas a “Pião Roxo”, sim. As duas espécies foram apresentadas pela família à delegada do caso, Joana Darc Sampaio, como prováveis plantas ingeridas pelas crianças.

Ministério Público diz que é precipitado acusar ou absolver
O promotor da Infância e Juventude Arley Escorel afirmou que vai continuar acompanhando o caso, solicitando laudos oficiais da morte das duas meninas mortas em condições ainda indeterminadas. “É importante ter prudência para não condenar nem absolver ninguém, afinal, as crianças podem ter sido envenenadas. É preciso prudência e cautela e, principalmente, aguardar os resultados dos exames toxicológicos”, disse. 

Entenda como aconteceu
Na manhã de quinta-feira, a mãe das crianças deixou as filhas com o pai, Kaio Felipe, de 22 anos, enquanto levava uma terceira filha para a creche e buscava o auxílio que recebe do Governo Federal. Quando voltou, ela percebeu que a criança de dois anos estava gemendo e com hemorragia, então a levou para o hospital no bairro Valentina Figueiredo, de onde foi transferida para o Hospital de Trauma em função da gravidade do estado de saúde da criança. Lá, os médicos suspeitaram de abuso sexual. A criança foi atendida, mas não resistiu e morreu no início da noite.

Enquanto estava com a filha mais velha no Trauma, a mãe foi informada por telefone que a criança de um ano apresentava situação similar. Suzane então foi socorrida para o Arlinda Marques e depois transferida para o Amip, mas também não resistiu. A primeira suspeita da morte foi de abuso sexual, praticado pelo pai das crianças, que chegou a ser preso na noite de quinta-feira, mas foi liberado no dia seguinte depois que a Gemol descartou morte por abuso sexual.

A hipótese de envenenamento - apontada pela família das crianças desde que elas receberam atendimento no Hospital de Trauma e Arlinda Marques - passou a ser a principal suspeita dos peritos, que aguardam o resultado de exames. A delegada Joana Darc contou que a família apresentou duas plantas que tinha em casa e que poderia ter provocado a morte das crianças. Elas seriam das espécies “comigo-ninguém-pode” e “pião-roxo”.

CASC-PB/NOTICIA

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