sábado

Empresários e médico são acusados de rachas na PB



Cinco carros, sendo quatro de luxo e um Gol GTS, foram apreendidos no início da manhã de ontem, em João Pessoa, durante a Operação Velocidade Limitada, deflagrada pela Polícia Rodoviária Federal e Ministério Público da Paraíba. Imagens disponibilizadas no site Youtube mostram os automóveis sendo utilizados em “rachas”, atingindo velocidade superior a 270 km em avenidas e rodovias da Capital. Os cinco proprietários dos automóveis tiveram as habilitações suspensas e responderão por crime de trânsito. A Justiça ainda pediu o perdimento dos bens dos acusados.

Foram apreendidos, através de mandados de busca e apreensão, um GM Camaro (Chevrolet), três Honda Civic e o Gol. As apreensões ocorreram em residências nos bairros de Manaíra, Cabo Branco e Jardim Luna. Os nomes dos proprietários não foram divulgados pelo Ministério Público e PRF, mas foi informado que todos os envolvidos têm entre 30 e 40 anos, um deles é médico oficial do Exército Brasileiro e os demais empresários.

De acordo com o coordenador do Grupo de Atuação Especializado no Combate ao Crime Organizado do Ministério Público, Otávio Paulo Neto, os rachas aconteciam em pontos diferentes da cidade e a qualquer horário do dia. As investigações foram iniciadas a partir de denúncias anônimas e teve a colaboração de vários vídeos postados pelos próprios “rachadores” na Internet, no site Youtube. “Percebemos que foi criado um canal na Internet, onde consta mais de 200 vídeos de rachas pelo país. As imagens mostram que esses carros também participavam de racha em outros Estados, como Rio Grande do Norte e Pernambuco”, afirmou.

Em João Pessoa, o crime foi constado nas rodovias BR-230 e BR-101, no Acesso Oeste e Avenidas Ruy Carneiro e Hilton Souto Maior (entre o bairro de Mangabeira e o Seixas). “Em razão da topografia, esses locais permitem que os veículos desenvolvam velocidades muito acima do permitido, que chega a superar os 250 km/h”, comentou Otávio. Todos os carros apreendidos têm motores modificados que aumentam a potência, ultrapassando o limite máximo de 10% permitido por lei. O Honda Civic preto, por exemplo, atinge 100 km/h em apenas 4,6 segundos e chega a 370cv de potência - o automóvel original tem potência máxima de 192cv.
De acordo com a superintendente da PRF na Paraíba, Luciana Duarte, toda alteração de característica veicular permitida precisa passar pela vistoria do Departamento Estadual de Trânsito e ser registrado no documento. Os carros apreendidos passarão por perícia, pelo que foi avaliado até o momento, nenhum deles respeita o limite máximo de alteração da potência que é de 10%, de acordo com resoluções Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

Motores dos carros valem até R$ 150 mil
Segundo o coordenador do Gaeco, Otávio Paulo Neto, o motor de um dos automóveis chega a valer R$150 mil, valor superior ao do próprio carro. O Honda Civic preto, apelidado de Black Bull, é conhecido no país inteiro e já foi mostrado em revistas e sites especializados. De acordo com uma notícia publicada no site vrum.com.br, o carro “possui o propulsor mais forte do modelo no mundo”, conseguido a partir de alterações feitas no motor. “Todo o projeto do possante foi feito pela oficina Rev It Up, de Vila Velha (ES), a mais de 1.500 km de distância de João Pessoa, por uma equipe especializada na otimização da performance de automóveis”, informou a notícia.

Já o Gol GTS apreendido ontem foi lançado no início da década de 90 e possui um motor avaliado em R$ 50 mil. O valor de mercado do carro não turbinado não deve ultrapassar os R$ 10 mil. O único carro entre os apreendidos cuja característica não foi alterada é o Camaro, entretanto o automóvel original permite ultrapassar os 200 km/h. Segundo o coordenador do Gaeco, os proprietários têm em comum a paixão por carros, mas ele adverte: “A esportividade tem que ser guardada aos locais apropriados, como autódromos e velódromos e não em ruas e vias, onde não é permitido que as pessoas despejem suas excentricidades sem respeitar o outro”, comentou Otávio.

Operação é inédita no país
A operação realizada entre Polícia Rodoviária Federal, Ministério Público Estadual, Polícia Civil e Detran é inédita no país, porque tem um caráter preventiva. Realizar “rachas” é considerado crime. O Código de Trânsito Brasileiro estabelece no artigo 308 que participar de corrida ou disputa automobilística sem a devida autorização das autoridades competentes é crime, com penas cabíveis de detenção, multa e suspensão do direito de dirigir.  

Os acidentes de trânsito se tornaram uma preocupação mundial, sendo considerado uma epidemia mundial. Em 2010, apenas nas rodovias estradas federais do Estado da Paraíba foram registrados 3.845 acidentes, com 2.450 vítimas e 192 mortes.

CASC-PB/NOTICIA

Nenhum comentário:

Postar um comentário